Nesta sexta-feira (27), a Comissão Gestora do Açude Faé se reuniu com a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), usuários de água, sociedade civil e poder público municipal para avaliar a operação de uso das águas do reservatório durante o último semestre, em Quixelô.
Durante o encontro, o gerente regional da Cogerh da sub-bacia do Alto Jaguaribe, Welliton Ferreira ,apresentou os dados da pré-estação chuvosa referentes a dezembro de 2025 e janeiro de 2026 para o município de Quixelô.

Em dezembro, o normal seria 43,4 mm, enquanto o observado foi 139 mm. Já em janeiro de 2026, o normal era 94,3 mm e o observado foi 18,2 mm, com desvio negativo de 80,7%. Também foi apresentado o prognóstico climático para o trimestre fevereiro, março e abril, conforme divulgado pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
No período de 1º de janeiro a 25 de fevereiro, o Açude Faé registrou aporte de 323 mil m³. Atualmente, o reservatório encontra-se com 4,08 milhões de m³ armazenados, o que corresponde a 32,84% da capacidade total, estando em situação de atenção.
Sobre a operação 2025.2, a vazão alocada foi de 70 l/s, enquanto a vazão média operada foi de 70,2 l/s. No comparativo entre o cenário simulado e o realizado, houve saldo positivo de 4,16 milhões de m³ no volume. A operação 2025.2 foi colocada em votação e aprovada por unanimidade.

Durante as discussões, foram levantadas preocupações relacionadas ao aterramento do riacho Faé por entulhos, presença de esgotos no reservatório e construções irregulares na área da barragem.
Também houve debate sobre a necessidade de reflorestamento do riacho, preservação do lençol freático e fiscalização do uso da água, especialmente quanto à utilização por produtores rurais.
Os membros destacaram que a finalidade do açude é atender o Vale do Faé como um todo, incluindo abastecimento humano, animal e demais usos produtivos, reforçando a importância da gestão equilibrada entre as áreas acima e abaixo do manancial. Foi ressaltado que as decisões sobre liberações são baseadas nos aportes registrados e discutidos no âmbito do Comitê do Alto Jaguaribe e da Comissão Gestora.
Entre os encaminhamentos, ficou definido que será trabalhado o Plano de Gestão Proativa de Secas do Açude Faé, que servirá de base para as próximas alocações. Também foi reforçada a importância da fiscalização e do acompanhamento das liberações, bem como do diálogo contínuo entre os membros da Comissão Gestora.

A reunião contou com a participação de nove instituições membros e 22 participantes.

