Notícias
20/04/2010
Emergência ambiental

A baixa pluviosidade registrada no Estado e o costume arraigado no sertanejo de preparar as terras para plantio com o uso do fogo, para limpar a camada vegetal existente, levaram o Ministério do Meio Ambiente a incluir o Ceará em situação de emergência ambiental. Estes dois eventos demonstram o quanto a realidade local está em descompasso com as técnicas avançadas de armazenamento de água, de eliminação das práticas agrícolas arcaicas e de preservação do solo com os próprios recursos naturais.
Os métodos de manejo da terra, modernos e preventivos, pelo visto, não conseguem se difundir entre a massa remanescente de produtores rurais, habituados com as queimadas como um meio singelo de preparar suas áreas de cultivo. Esse hábito concorre para a gradual esterilização do solo, acidificando-o e, ao mesmo tempo, destruindo a grande parte de seus nutrientes. No entanto, não deixa de ser utilizada, provocando incêndios muitas vezes incontroláveis.
A Floresta Nacional do Araripe tem sido vítima da ação do fogo utilizado nos roçados, ganhando, pela força dos ventos, grandes proporções. Como os recursos tecnológicos e humanos são por demais limitados, o verde da serra se destrói, ficando a clareira como sinal evidente da imprevidência e das barreiras oferecidas pelos agricultores às novas conquistas. Dificilmente os campos afetados conseguem recuperar sua cobertura vegetal como era antes.
O Ministério, com essa providência, enxerga mais adiante. Quer conservar as manchas remanescentes da Caatinga, um bioma em processo de destruição pelo fogo, pelo agrotóxico, pelo desmatamento das áreas adjacentes às fontes de água, como os rios, riachos, nascentes e poços. A Caatinga não chegou, ainda, a ser mapeada, desconhecendo-se, por isso, a dimensão de seu potencial biológico e os meios para seu aproveitamento industrial equilibrado.
As queimadas - revelam as avaliações técnicas - são apontadas como geradoras da maioria dos incêndios florestais. Sua persistência provoca a desertificação dos solos, liberando, ademais, gases tóxicos (CO2), responsáveis pela poluição da atmosfera. O Ministério do Meio Ambiente privilegia as medidas preventivas contidas no Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), mas, nem por isso, consegue reverter os focos registrados no País.
O Estado, neste ano, terá a dotação de R$ 350 mil para a formação de 11 brigadas contra incêndios, em parceria com o Ibama, incluindo capacitação e aquisição de kits de proteção da cobertura vegetal remanescente. Em meio a esse choque de cultura, há sinais de mudanças para melhor. O município de Acopiara, líder no desmatamento no Ceará, acaba de promover o I Seminário Municipal de Manejo da Caatinga. Seu objetivo foi encontrar alternativas de convivência com o semiárido, especialmente a conscientização dos produtores rurais sobre as agressões ao meio em que vivem. Este é o primeiro caminho para estancar práticas agrícolas seculares contrárias à dinâmica do semiárido. É apenas um exemplo simbólico, mas capaz de ser reproduzido pelos sertões.







