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13/04/2010
Chuvas Trazem novo pasto
A irregularidade das chuvas no semiárido trazem alegria, mas também tristeza para as comunidade rurais

          As chuvas que faltaram nos meses de janeiro, fevereiro e março no Cariri estão sobrando no mês de abril. "A volta das chuvas garante pasto e água para o gado e recupera o lençol freático. No entanto, mais de 50% da produção de milho, arroz e feijão estão perdidos", lembra o gerente regional da Empresa de Assistência Técnica Extensão Rural (Ematerce), Adonias Sobreira.

         No Sítio Ema, localizado no município de Abaiara, um plantio de milho está debaixo d´água. A enchente acabou com o pouco que restou dos 70 hectares de milho plantados pelo agricultor Francisco Leite Quental, um dos maiores produtores de milho da região. O agricultor Antônio Dantas, que também mora no município de Abaiara, diz que a perda foi quase total. Mas ainda tem gente acreditando na continuidade do inverno.

        É o caso dos agricultores que perderam o primeiro plantio nos municípios de Porteiras e Brejo Santo. Depois do dia 19 de março, Dia de São José, quando foram reiniciadas as chuvas, os agricultores iniciaram um segundo plantio na perspectiva de que o período de chuvas vai até o fim de maio. Os técnicos da Ematerce afirmam que aqueles que plantaram sementes de ciclo vegetativa curto, como é o caso do feijão, têm condições de colher. "Mas tudo depende da continuidade do inverno", advertem. Se de um lado as chuvas ou a falta delas estão causando prejuízos, por outro, muda a paisagem do sertão, formando espetáculos de rara beleza.

Novas águas

          Pela primeira vez, este ano, a cachoeira de Missão Velha, por onde passa a água da microrregião do Cariri (Crato, Juazeiro, Barbalha e Caririaçu) para o Castanhão, está cheia. O agricultor José Moreira Neto, que mora nas proximidades, diz que a cachoeira começou a receber água na quinta-feira, depois da chuva de 110 milímetros que deu em Barbalha. Moreira observa que nunca viu uma cheia dessas no mês de abril. Normalmente, este volume d´água acontece nos meses de fevereiro e março. No fim de semana, voltou a chover na região do Cariri. No município do Crato, choveu 50 milímetros na madrugada de domingo.

         As águas que passam pela cachoeira são despejadas no Rio Salgado, que desemboca no Jaguaribe e este no Açude Castanhão. É sinal de que os riachos do Cariri estão abastecendo os pequenos reservatórios da região.

         Na barragem do Rosário, município de Milagres, por onde passam às águas de Brejo Santo, Abaiara, Porteiras e Jati em direção ao Castanhão, os agricultores que perderam a lavoura estão comemorando a volta das chuvas, pegando peixes. No domingo, foi um dia de festa para os meninos que tomavam banho nas águas barrentas do Riacho dos Porcos e comiam peixe assado na parede da barragem que, este ano, pela primeira vez, recebeu água, mas não está lavando por cima, como acontece nos invernos mais fortes.

          O engenheiro agrônomo José Ladislau de Souza informou que as chuvas de abril não alteram a situação da lavoura plantada nos dois primeiros meses do ano. A eventual safra de milho, arroz e feijão está comprometida em virtude dos veranicos. As precipitações foram irregulares o que, segundo Ladislau, caracteriza uma "seca verde". "No momento em que o legume precisava de mais umidade, que era no mês de março, não choveu", disse o técnico da Ematerce ressaltando, entretanto, a importância das chuvas para a pecuária e alimentação do lençol freático.

Norte e Inhamuns

          As chuvas têm se concentrado também entre os municípios da Serra da Ibiapaba e região dos Inhamuns. Destaque para os municípios de Viçosa do Ceará e Croatá, na região da Ibiapaba e Ipueiras, Ipaporanga, Nova Russas e Poranga nos Inhamuns. Sendo que as maiores precipitações registradas, até a manhã de ontem, foi em Ipueiras com 82mm. Neste município o acumulado do mês ainda está abaixo da média que é de 142mm. Porém, apesar disto, os motoristas que trafegam na rodovia CE-187, no trecho entre as cidades de Ipu e Ipueiras, estão preocupados com as condições da estrada. Reclamam da buraqueira que compromete o tráfego.

          Segundo a Funceme, as regiões do Estado deverão ficar com nebulosidade variável. Nos próximos dias, há previsão de chuva em todas as regiões. São consequências da frente fria que veio do Sudeste.

Tábua de chuvas

Milhã107mm
Quixeramobim94mm
Banabuiú91.7mm
Ipueiras 82mm
Solonópole 82mm
Quixadá 78.2mm
Dep. Irap. Pinheiro 74mm
Piquet Carneiro 63mm
Jaguaretama 61.5mm
Poranga60mm

Fonte: Funceme

MAIS INFORMAÇÕES
Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ematerce)
Praça Filemon Teles (ao lado do Parque de Exposições): (88) 3102.1293


ANTÔNIO VICELMO
Repórter

CENTRO-SUL

Precipitação muda rotina de moradores

       Iguatu.
Alívio para a agricultura e pecuária. Uma precipitação em média de 80 milímetros banhou municípios da região Centro-Sul, neste fim de semana. No campo, os produtores rurais esperam salvar parte do plantio de sequeiro de culturas tradicionais de milho e feijão. A chuva voltou a ocorrer na manhã de ontem, obrigando os moradores desta cidade saírem de guarda-chuva para as compras.

         A dona-de-casa, Francisca Araújo, esperou até as 9 horas para ir à tradicional feira-livre que acontece ao lado do mercado, no Centro desta cidade. "O jeito foi vir de guarda-chuva", disse. Centenas de moradores repetiram o gesto para ir à padaria ou aos mercantis a fim de comprar leite, pão e outros gêneros alimentícios.

         Nos bairros e no Centro da cidade, pedestre e ciclistas tiveram que se proteger da chuva fina, usando o velho guarda-chuva que estava praticamente encostado. Por toda a manhã de ontem, o dia permaneceu nublado e com uma chuva fina que mudou a rotina dos moradores e amenizou o forte calor dos últimos dias.

         No escritório da Ematerce, nesta cidade, foram registrados 68mm na madrugada de sábado para domingo e 10mm, ontem, pela manhã. Na região de Baú, zona rural deste município, choveu 75mm. Os agricultores comemoraram a mudança de tempo. O produtor rural Carlos Palácio disse que a chuva verificada no fim semana assegura a lavoura que sofreu prejuízo de 30%. "É um alívio e uma esperança que se renova". A estiagem verificada em março, mês que choveu apenas 20% do esperado para o período, provocou perda parcial da lavoura de milho e feijão em média de até 50%, dependendo da região.

         Na localidade de Barro Alto choveu 80mm e há informações de que, em alguns sítios do município de Jucás, a precipitação chegou a 100mm. A chuva foi permanente, sem vento e trovões. Silenciosa e constante foi suficiente para reanimar os agricultores e trazer pastagem.

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