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27/04/2010
Sub-bacias hidrográficas do Alto Jaguaribe (Tauá-CE): vulnerabilidades ante a incidência de degradaç
por: Rosângela Maria Paixão Pinheiro -

              Desde os primórdios da civilização elementos naturais em bacias hidrográficas ? água, solo, vegetação, entre outros ? são utilizados em práticas humanas, suprindo suas necessidades. Entre estes, a água é um recurso tão importante, que sua escassez, pode influenciar o desenvolvimento de uma região e refletir-se em problemas sócio-econômicos, problemática presente na Região Semiáridado  Brasil. A área do presente estudo, alto vale da bacia hidrográfica do Jaguaribe, convive sazonalmente com a indisponibilidade de água - decorrente dos baixos índices anuais de pluviometria (650 a 550 mm/a), e elevados índices de temperatura (25oC a 28oC) e evaporação (119 a 307 mm), que levam a déficits hídrico. Caracteriza-se também pela potencialidade limitada de outros recursos naturais, entre eles ? solos rasos (Nessolos Líticos, Luvissolos e Neossolos Flúvios) e formação vegetal complexa aberta (caatinga), que em períodos de seca são intensificadas. Ficando, então, a população condicionada ao quadro de pobreza sócio-econômica e de vulnerabilidade ambiental, refletidos em suscetibilidade à desertificação. Neste contexto, o presente trabalho objetiva desenvolver análise geoambiental em sub-bacias hidrográficas no município de Tauá ? CE; caracterizando e classificando-as diante das condições hidrodinâmicas, expressando cenários de vulnerabilidades, a fim de subsidiar a busca da sustentabilidade dos seus recursos naturais. A metodologia correspondeu a integração da análise quantitativa sobre a rede de drenagem, comabordagem qualitativa em perspectiva sistêmicas sobre as componentes físico-ambientais e sócioeconômicas.Foram aplicados parâmetros e concepções baseadas em HORTON (1945), STRAHLER (1952), entre outros citados por CHRISTOFOLETTI (1980); BERTALANFY (1932), BERTRAND (1972); bases cartográficas da SUDENE/ASMIC (1967), SUDENE (1973) e WAVES (2001). Nos resultados obtidos quanto as características hidrodinâmicas, as sub-bacias dos riachos Carrapateiras e Catumbi apresentaram hierarquias mais complexas (4a ordem), que as sub-bacias Cipó e Trici (3a ordem). As análises dos índices morfométricos potencializaram a caracterização das sub-bacias, quanto a maior ou menor pré-disposição aos processos erosivos e outras dinâmicas hidrológicas. Assim os parâmetros de índice de forma (Ff, Kc e ?C?), levaram a autora a classificar,todas as sub-bacias com forma irregular; favorecendo o tempo adequado para formação do deflúvio. Dinâmica refletida também pelos índices ?Cmc? e ?Eps? ? comprimento médio dos canais e escoamento superficial. O primeiro evidenciou em quase todas as sub-bacias, exceto Catumbi, a busca ao ajuste apropriado dos canais; através do qual, o comprimento médio maior está para os canis de 1a ordem, com redução do percurso médio para as ordens superiores. No segundo índice, as sub-bacias Catumbi e Cipó - 0,86 km e 0,81 km respectivamente ? apresentaram indicativos mais acentuados aos processos erosivos, que as sub-bacias Carrapateiras e Trici, com 0,78 km e 0,76 km, respectivamente. Nas densidades de rios e de drenagem ? ?Dr? e ?Dd? ? os resultados para Cipó, Carrapateiras, Trici e Catumbi, em cada índice respectivamente foram: 0,1 c/km, 0,08 c/km, 0,14c/km, 0,21 c/km e 0,61km/km2, 0,64 km/km2, 0,65 km/km2, 0,58 km/km2; indicando baixa freqüência de canais e baixo padrão de drenagem por área padrão, representando equilíbrio entre o escoamento superficial ? infiltração. Dinâmica também analisada no conjunto declividade média e coeficiente de rugosidade -?D? e ?Rg? ? que nas sub-bacias Carrapateiras e Trici expressaram melhor equilíbrio, através dos resultados ? 8,09%, 5,10% e 5,17; 3,31 para cada índice respectivamente; em relação as sub-bacias Catumbi e Cipó, respectivamente com, 3,96%, 4,20% e 2,29; 2,56. A análise sócio-ambiental evidenciou relações desarmônicas, estabelecidas nas áreas de abrangência das sub-bacias hidrográficas, pela estrutura econômica e modo de uso e ocupação do solo, ao longo de aproximadamente cinco (5) séculos de exploração dos recursos naturais. Na compartimentação das sub-bacias hidrográficas em unidades e sub-unidades geoambientais, resultou em destaque, quanto a menor e maior variação geoambiental respectivamente, para as sub-bacias Cipó (3 unidades e 5 sub-unidades) e Carrapateiras (5 unidades e 18 sub-unidades), e que também realçam as vulnerabilidades naturais mais acentuadas. Enquanto as sub-bacias dos riachos Trici e Catumbi (ambas com 4 unidades e 12 sub-unidades), destacaram-se pelas condições de maior interação e preservação das componentes físico-ambientais, refletindo em vulnerabilidades naturais menos intensas. Em quase todas as sub-bacias identificou-se a ocupação relativa pela unidade Z3 ? áreas parcialmente dissecadas, exceto no riacho Catumbi, que está ocupadarelativamente pela unidade Z2 ? áreas aplainadas a pouco dissecadas. Evidenciando que ao longo do tempo geológico-geomorfológico, as sub-bacias são alvos de intensos processos de desnudação. As análises realizadas levaram a autora, a classificação das sub-bacias hidrográficas nas seguintes categorias: alta vulnerabilidade ambiental para Cipó; Média/alta vulnerabilidade ambiental emCarrapateiras; Média/média vulnerabilidade ambiental para Trici, e Média/baixa vulnerabilidade ambiental em Catumbi. Em face do exposto, conclui-se que as condições ambientais nas sub-bacias hidrográficas refletem um conjunto de fenômenos com forte antagonismo, entre o equilíbrio hidrodinâmico e físico-ambiental para a Região Semi-árida, com as dinâmicas sócio-econômicas de exploração dos recursos naturais. Revelando-se em intensas alterações ambientais negativas,decorrendo em fenômenos que aguçam as vulnerabilidades ambientais naturais, e que estão associados à degradação / desertificação nas sub-bacias hidrográficas no alto Jaguaribe no município de Tauá-CE.

 

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